Estou lendo um livro lindo A aventura das plantas e os descobrimentos portugueses, do estudioso português José E. Mendes Ferrão. Um grande amigo o recomendou faz muitos anos, na época estava com a edição esgotada, esqueci. Agora na França fazendo pesquisa topei com ele em uma livraria minúscula e linda. Vale o passeio para quem vier por aqui. La Librarie de L’Éscalier, em português quer dizer a livraria da escada, fica na frente de uma escada que junta duas ruas com um grande desnível. A edição que eu comprei é traduzida para o francês, mas tem à venda na FNAC portuguesa.
O trabalho é minucioso, traz explicações sobre cada planta em cada um dos verbetes de frutas, árvores e vegetais que os portugueses trouxeram de seus locais de origem para as suas colônias. Ilustrado com imagens feitas principalmente no século XIX por um naturalista muito talentoso, veja a nota sobre ele no final do texto. As pranchas ilustradas eram para ser usadas como objeto de estudo dos cientista, desenhos técnicos que hoje percebemos como lindas ilustrações.
De todos os diferentes verbetes gostei muito das explicações sobre a jaca, importada da Índia para o Brasil e para a África para ser usada como corta-vento no meio de grandes plantações por seu tamanho gigantesco. Não sabia, como também não sabia que o melhor modo de servir jaca madura é primeiro separar os gomos da fruta, lava-los para tirar o visgo e servir em tigelas de água bem gelada. Depois dessa descrição vou arriscar servir assim. Era considerada pelos portugueses que chegavam à Índia nos séculos XVI e XVII como uma iguaria. Precisamos recuperar esse nosso paladar perdido pela jaca.
E os quiabos de repente, para mim, viraram um prato internacional, tem aqui, na África e tem no Oriente, onde servem fritos, entre outros modos tantos modos. Na verdade o nosso quiabo é tudo menos apreciado pelos brasileiros, em 2012, ainda de acordo com o livro, a sua produção mundial foi de 9.5 milhões de toneladas. O maior produtor mundial é a Índia (66,2%), seguido pela Nigéria (21,2%) e demais produtores com variações menores do que 10%. Achei uma lição, deixamos de ser o centro mundial do caruru, somos primos próximos com outros países que também os apreciam.
A Librairie de L’Éscalier, não tem site, vale a visita para sentir o clima bem parisiense, fica no coração do bairro das faculdades. Clique aqui para ver mais detalhes sobre como chegar lá.
É possível comprar o livro em edição portuguesa, eu o encontrei na Fnac Portugal.
Gravura: A gravura do quiabo é do pintor e naturalista francês Jean-Théodore Descourtilz, 1827. Chegou ao Brasil em 1826 e trabalhou aqui até falecer em 1855 no estado do Espírito Santo.
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