Em um momento de demonstrações por melhores condições de vida em vários países do Oriente Médio e norte da África, lembrei-me de um filme dos anos 80 do século 20 com um título que me encantou, O chá no jardim de Archimedes , a história trata da dispersão cultural dos habitantes do norte da África, quase obrigados a emigrarem para a França, o que o fazem por total falta de perspectiva de encontrar trabalho, saúde e educação em seus países de origem. A explicação não é tão simples, esses lugares foram colônias francesas e sofrem as consequências de um interesse relativo em seu desenvolvimento até hoje.
O título original em francês, “Le thé au harem d’Archimède”, é ainda mais evocativo do conflito cultural entre o Ocidente e o Oriente, em um primeiro momento parece que esse chá é bebido no harém do Arquimedes – a tradução literal do título original do filme é o chá no harém de Arquimedes, porém com um pouco de esforço podemos entender que o nome é uma interpretação a partir do universo cultural dos personagens.
Não existe um chá a ser bebido, nem um harém real, apenas uma lição de matemática a ser aprendida, numa tentativa dura de entender a Europa: o teorema de Arquimedes, aquele que diz que um corpo ou objeto ao cair na água recebe um empuxo de baixo para cima igual ao peso/massa deslocado, e explica por que flutuamos. Na falta de uma compreensão mútua, uma adaptação.
As imagens de um belíssimo jardim, cheio de mulheres e crianças que tomam chás perfumados vira e mexe retorna à minha memória; como cozinheira que sou e bem entusiasmada pelo cheiro do açúcar derretido em calda, traduzo aquilo que só eu vejo em doces, caldas e essências de flores. O jardim imaginário tem rosas, chás, água de flores, violetas cristalizadas e delicados bolos.
Listei a seguir algumas dessas receitas perfumadas. O bolo já é assado com geléia no recheio e perfumado com água de flor de laranjeira, o principal ingrediente do sagu é a laranja. Seu cheiro é reconfortante e nem é preciso dizer que a água de flor de laranjeira pode ser acrescentada ao sagu ou talvez utilizar a água de rosas em seu lugar.
Bolo decorado chamado Maria Antonieta
Doce de laranjinha kinkan com calda grossa para servir com queijo ou como acompanhamento de…
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