Eu sou viúva como muitos de vocês sabem. Casei novamente, mas como na vida tudo soma e às novas experiências e hábitos juntam-se os anteriores, pensei no marido que se foi faz muitos anos. Pensei na frase que dizia quando vivíamos situações assustadoras. Estamos num desses momentos. Tenho amigos e família mundo afora e alguns estão em situações absolutamente duras, suas cidades foram destruídas por guerras civis, outros são sistematicamente atacados por fanáticos e outros apenas contabilizam os mortos do outro lado da fronteira.
As explicações dos dois lados não tem valor e me fazem lembrar um grupo de jovens libaneses, adolescentes, que nos anos 80 passeavam por Berlim com um guia que segurava uma bandeirinha da ONU para não se perderem. O motivo do passeio era mostrar para aqueles jovens que nem todo adolescente anda com um fuzil ou uma metralhadora pendurado no ombro; passeavam bastante para comprovar que em alguns lugares do mundo ônibus e trens circulam normalmente sem serem bombardeados. A visita de quinze dias oferecia a possibilidade de entender que não seriam sequestrados por grupos opostos ou que pode-se dormir sossegado no silêncio da noite. Os idealizadores do projeto tinham por objetivo mostrar a vida em outro lugar. Quem sabe também ensinavam que crianças não precisam ser mártires desde pequenininhos, podem escolher depois de adultos e de muito estudo religioso.
Precisamos tomar um sorvete.
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