Eu fui a um encontro de escritores de cozinha na Inglaterra e em apenas alguns dias aconteceu uma cena digna de um filme do Woody Allen chamado Bananas. Eu assisti ao filme, pela primeira vez, ainda durante o período da ditadura militar brasileira, o enredo é engraçado, mas um pouco triste para quem vem de um país onde o poder se dispõe a medidas arbitrárias. Em determinado momento o personagem do ditador no filme decide que todos os habitantes agora irão usar a roupa de baixo por cima, ou melhor sobre a roupa. Um pouco como aconteceu com a proposta (ou seria decreto?) que todos os médicos agora servirão dois anos no SUS. Esse é um bom exemplo de como se pode desperdiçar uma boa oportunidade.
Por um lado, médicos estrangeiros irão viver exilados na Amazônia, sem nem hospitais, e sem conhecimento da geografia e das doenças locais – não entendi se podem trazer as suas famílias para o degredo, uma vez que se prestei atenção e captei o que se dizia, a prática da medicina tem que ser lá bem longe de qualquer possibilidade de se aprimorar. Isso é lá convite que se faça?
Por outro lado nem ouvi uma só palavrinha do tipo vamos construir um modelo de saúde que preste, com hospitais bem equipados com profissionais que tenham a obrigação de educação continuada, paga pelos próprios hospitais – mas isso só mesmo na Suécia, que aliás foi o país escolhido pelo personagem do filme do Woody Allen como o melhor do mundo e, por isso toda a população de seu país estava obrigada, por decreto, a falar sueco.
Saúde, educação, comida para todos não são mais do que o minímo de um governo e de um Estado democrático, sem um não tem o outro, nem o outro nem o outro.
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