No mês de setembro festeja-se na religião católica o dia de São Cosme e São Damião, foram mártires do Império Romano ainda não cristianizado, no século VI. Consta que eram gêmeos e como médicos que não cobravam de seus pacientes. Seu culto era importante a ponto de seus corpos terem sido transferidos para Roma onde foi construída uma igreja em sua homenagem.
Os irmãos sempre tiveram apelo popular na Europa e seu culto cresceu bastante durante os séculos XV e XVI, que coincide com o período que a igreja católica apoiava a conversão forçada de judeus e muçulmanos na Península Ibérica. Não se pode afirmar, mas provavelmente igrejas e congregações não receberam esses recém convertidos que talvez tenham encontrado abrigo ou criado suas irmandades e congregações em torno dos santos mártires sacrificados por suas crenças, quem sabe se sentiam de modo semelhante?
A colonização trouxe um grande número de escravos africanos para o Brasil e também o comércio de mercadorias, a troca de alimentos foi intensificada – a mandioca foi para lá e o inhame para cá por exemplo. O dendê também foi transplantado para cá.
Nos dois séculos seguintes a culinária brasileira foi pouco a pouco estabelecendo a sua identidade, pratos estrangeiros se adaptaram e ingredientes começaram a ser utilizados de maneira um pouco diferente do seu uso africano ou português. O Brasil eram um grande jardim botânico adaptando espécies para fins comerciais.
Ao mesmo tempo as raízes das religiões africanas fincaram o pé e estabeleceram os seus hábitos – para evitar perseguições estabeleceram santos de fachada que ocupavam o lugar de seus orixás de devoção. São Cosme e São Damião escondia os ibejis, que representam de maneira poética a criança que existe em cada um de nós, símbolo dos espíritos livres. Quem não gosta de crianças, não é mesmo?
Na tradição do Candomblé cada um de seus santos recebe pratos de comida como oferenda, e o caruru é o prato dos ibejis.
Desprovido de seu significado religioso é um prato até hoje típico na culinária baiana que pode ser servido o ano inteiro, mas é muito mais interessante quando preparado em setembro para homenagear a alegria de viver das crianças!
Clique para ver a lista de pratos que homenageiam os orixás do Candomblé.
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