O futuro está chegando nas mesas dos consumidores em muitos lugares do mundo, e aqui também. É verdade que nesse momento ainda existem muitas perguntas sem respostas sobre o tema. Agora, por outro lado, pensando de uma maneira mais positiva, há uma busca por melhorias na alimentação das pessoas em alguns setores da economia. Uma boa parte dessa questão é sobre o que vai acontecer com a manutenção do solo, esse chão que nós pisamos, o qual anda meio estragado. Existem outras perguntas sendo feitas, e muitos testes sobre o que será levado à mesa das pessoas. E de que maneira também.
Percebe-se que estamos andando em direção à uma utilização maior de ingredientes que não conhecemos da Mata Atlântica, da Amazônia, e dos diferentes biomas do Brasil. O qual aliás é um dos mais ricos do mundo. Ainda que ao mesmo tempo também seja objeto de ações especialmente violentas e destrutivas. A melhor maneira que eu consigo descrever esse movimento é um pouco como se uma parte dos habitantes do país estivesse no meio de uma vontade incontrolável de destruir tudo quanto é floresta e mato que se vê pela frente.
Pode-se dizer que há uma divisão grande nessa área. Parte dos empresários do agro aprova o uso de matar a floresta para enriquecer, e ponto final. Aliás, esse é o mesmo olhar que Pero Vaz de Caminha pontuava quando escreveu ao rei de Portugal, em 1500, quando disse que “em se plantando, tudo dá”. A lógica colonizadora naquele momento era explorar produtos já conhecidos, e o açúcar é um bom exemplo. Por outro lado, os portugueses, e todos os demais países com colônias nas Américas e na Ásia, a partir do século XVI, importaram uma montanha de espécies estrangeiras, e pouco se interessaram com os produtos nacionais para grande produção. As exceções foram o feijão e a mandioca, inicialmente entendidos como produtos para alimentar escravizados dos dois lados do Oceano Atlântico.
A grande produção nacional é toda baseada em plantas exóticas, nem o modesto grão de cacau, que é da Amazônia está na lista dos campeões em produtividade:
10. Soja – foi introduzida no país no começo do século XX. Porém, fsó mais tarde, nos anos 70 do século passado que a soja começou a ser produzida em grande escala.
20. Cana de açúcar – o produto colonial para a Europa trazido pelos cruzados na Idade Média, e a produção foi ampliada com o domínio árabe na Península Ibérica, de onde veio para o Brasil.
30. Café –chegou da Guina Francesa no século XVIII por ordens explicitas dos portugueses. A intenção era difundir o café no país. Os portugueses ocuparam uma parte do território francês durante o período das Guerras Napoleonicas na Europa. E, foi justamente por conta delas que D. João veio para o Brasil em 1808. Fugiam da invasão das tropas francesas.
40. Laranjas – chegaram ao Brasil em 1530 com os colonizadores, porém sua produção aumentou muito quando, ainda no século XVIII, perceberam que o seu consumo evitava o escorbuto durante as viagens marítimas. A laranja, tal como a soja, se transformou em um produto de exportação a partir dos anos 70. É que naquela década uma praga arrasou os laranjais da Flórida, nos Estados Unidos. Os americanos foram por muito tempo um dos maiores produtores mundiais de laranja, e principalmente do suco de laranja. Aliás, é justamente a partir dessa produção gigantescaque aprendemos – brasileiros e europeus, a gostar do suco.
A produção brasileira utiliza uma quantidade excessiva de agro defensivos, e infelizmente, não é muito conhecida por seu empenho em reabilitar os terrenos onde plantam. Com isso, todos perdemos a possibilidade de melhorar a qualidade de vida da população do planeta.
Mas nem tudo é o fim do mundo para o futuro, por enquanto, como veremos nos artigos seguinte
Crédito da imagem: Laranjas, 1715, um quadro do pintor italiano Bartlomeo Bimbi (1648-1929).
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