Dia 27 de setembro é dia de São Cosme e São Damião. É um dia muito especial para a cultura brasileira. E não só para quem é das religiões de matriz africana. Eles viveram e morreram na Ásia, bem no início do século VI da Era Cristã. Diz-se, embora sem comprovação, que além de médicos eram irmãos. Muito festejados em Portugal, o seu culto rapidamente se espalhou pelo Brasil colonial.
No Brasil colonial e imperial, e até a segunda metade do século XX – já durante a República, as religiões de matriz africana eram proibidas. E portanto muito reprimidas pela polícia. Da mesma maneira que apenas a religião católica era permitida durante o período colonial. Por isso, as populações escravizadas criaram um novo modo de homenagear as suas divindades religiosas de origem africana escondendo-os por trás de santos da Igreja Católica. Assim, por exemplo, São Cosme e São Damião passaram a ser cultuados em público no lugar de Erês e Ibejis. Erês e Ibejis representam entre outros aspectos simbólicos, as crianças ou os espíritos das coisas puras que existe em cada um de nós. Nada melhor do que os homenagearmos como o fazem as religiões de matriz africana. E, como no Candomblé os santos também comem, eles também são homenageados com o caruru das crianças.
No Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro desenvolveu-se um outro tipo de comemoração mais ligada às ruas, e menos aos espaços internos dos lugares de culto. A festa é mais ligada ao catolicismo e à umbanda, e uma parte importante consiste na distribuição de balas e doces para crianças acondicionadas em saquinhos com a imagem dos santos. É um tipo de Haloween bem brasileiro!
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